A DESPESA COM JUROS: R$ 1 BILHÃO POR SEMANA!

Conforme temos comentado, a política de juros do Banco Central está próxima de ato irresponsável. Tanto mais perversa é esta política quanto é a conta que nós, contribuintes, temos de pagar no futuro.

Já se sabe que o efeito-riqueza (acréscimo do valor patrimonial dos poupadores) da política de juros atual supera outros efeitos desejados, tornando-a uma política inócua.

Gerson Lima, pesquisador da Universidade Federal do Paraná, enviou-me alguns cálculos, reproduzidos na tabela, que mostram que a despesa com juros do governo federal, quando se inclui o custo implícito da política monetária, chega a R$ 1 bilhão por semana.

Vamos repetir: R$ 1 bilhão por semana! Isto neste ano da graça em que o governo alega não ter dinheiro para pagar hospitais, consertar estradas ou investir em educação.

A tabela que acompanha o texto mostra o custo da dívida federal em 1995, supondo-se que a taxa anual de juros (quarta coluna) seja uma taxa constante e que não haja mudanças devido à inflação ou à uma desvalorização cambial acentuada.

O total das despesas com juros alcança a soma de R$ 52,3 bilhões até dezembro; aproximadamente, R$ 1 bilhão de desembolsos com juros por semana. É isto que defende a social-democracia brasileira?

Ademais, isto acaba provocando um enorme rombo nas contas públicas. Admitindo-se que o governo federal consiga poupar 20% da sua receita tributária total, estimada em R$ 70 bilhões para o presente ano, faltarão ainda R$ 38 bilhões para fechar as despesas.

Reproduzo parte da correspondência do professor Lima. "Taxas de juros elevadas provocam o crescimento constante da dívida pública e dos respectivos juros, o que mantém o governo numa situação de déficit crônico, sempre à beira da falência, sempre a pedir mais empréstimos, sempre de pires na mão."

"Neste caso, a cada dia de atraso na implantação das medidas corretas, aumenta o tamanho do ajuste fiscal que o governo exigirá do Congresso e da população."

"O que acontece neste momento é que o governo está pagando os juros dos títulos de sua dívida com a emissão de moeda pelo BC."

Há alternativas para este beco sem saída. Para começar, o governo precisaria ter alternativas concretas de renegociação da dívida interna, afastando a quimera que a privatização resolverá tudo em um passe de mágica.

Com o passar do tempo, veremos que a arrecadação líquida obtida com a privatização abaterá muito pouco da dívida interna.

É preciso vontade política para quebrar os grilhões que o pessoal do mundo das finanças colocou sobre este país. Se, ao menos, parte dos juros fosse canalizada para abrir fábricas ou construir estradas teríamos aumento da capacidade produtiva do país.

Mas não é isto o que ocorre. Temos simplesmente um processo horroroso de concentração de renda, para somar-se à já péssima distribuição de renda deste país tropical insensato.


Este artigo foi originalmente publicado, em 6 de agosto de 1995, na coluna que o Zini mantinha na Folha de São Paulo. A diminuta comunidade dos economistas que percebem os erros da política monetária perdeu um reconhecido líder quando Álvaro Antônio Zini Jr faleceu, então com apenas 45 anos, em 23 de abril de 1998.

Álvaro Antônio Zini Jr.