A GUITARRA DOS JUROS

O dinheiro é fabricado, obviamente, numa máquina impressora. Se a máquina é da Casa da Moeda, tudo legal, mas, se não for, a máquina chama-se "guitarra", talvez porque produza notas, mas notas falsas, sem valor musical ou financeiro.

O dinheiro feito na Casa da Moeda é verdadeiro, inclusive no sentido de que o governo fornece este dinheiro para facilitar as compras e vendas de produtos e serviços "reais", assim permitindo movimentar a produção do Brasil. Modernamente, entra nesta categoria de dinheiro verdadeiro aquele que é emitido eletronicamente pelo Banco Central para pagar os gastos do governo, quando estes gastos superam as receitas depositadas na conta corrente do governo.

Entretanto, estes gastos do governo, além de "reais", podem também ser "monetários". Eles são reais quando se referem a produtos e serviços, como a compra de leite para a merenda escolar, a construção de um hospital, o subsídio concedido aos produtores de trigo, o pagamento das aposentadorias do trabalhador, etc. São monetários quando se referem ao pagamento de juros da dívida e outros tipos de ajuda do Banco Central aos bancos comerciais e ao sistema financeiro nacional. É mais ou menos com se os gastos reais fossem pagos com dinheiro da Casa da Moeda e os gastos monetários fossem pagos com dinheiro saído da guitarra "oficial". Aquele lá serve para movimentar a economia, este cá não.

O problema é que a cartilha seguida pelo Banco Central reza que ele tem que fazer dívida para controlar a inflação. Do outro lado, a única fonte de recursos para pagar estes juros é o ajuste fiscal, ou superávit primário. O ajuste fiscal é uma "poupança" do governo, conseguida com o corte das compras de produtos e serviços das empresas e aumentando impostos pagos pelas pessoas físicas e jurídicas. Mas o ajuste fiscal tem sido pouco para tanto gasto com juros.

O problema é que a cartilha seguida pelo Banco Central reza que ele tem que fazer dívida para controlar a inflação. Do outro lado, a única fonte de recursos para pagar estes juros é o ajuste fiscal, ou superávit primário. O ajuste fiscal é uma "poupança" do governo, conseguida com o corte das compras de produtos e serviços das empresas e aumentando impostos pagos pelas pessoas físicas e jurídicas. Mas o ajuste fiscal tem sido pouco para tanto gasto com juros.


Este artigo foi originalmente publicado pelo jornal Indústria e Comércio de Curitiba em 24 de maio de 2004.

Gerson Lima